quinta-feira, 21 de maio de 2009

CPI sugere ligação da Petrobras com dossiê antitucano (memoria)

da Folha de S.Paulo, em Brasília

Com base nas investigações da Polícia Federal, a CPI dos Sanguessugas concluiu que há indícios de participação de pessoas ligadas à Petrobras na compra do dossiê antitucano.

Aprovado por unanimidade, o relatório final da CPI, encerrada na quinta, destaca que a PF pediu a quebra do sigilo telefônico de Wilson Santarosa, gerente de Comunicação Institucional da Petrobras, e do empresário Paulo Eduardo Nave Maramaldo, sócio da empresa NM Engenharia e Anti-Corrosão Ltda., contratada da estatal.

Tanto Santarosa quanto Maramaldo trocaram ligações com Hamilton Lacerda no período de negociação do dossiê. Ex-assessor do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), Lacerda foi identificado pela PF como o homem que transportou o dinheiro (R$ 1,75 milhão) que seria usado na aquisição do material contra o PSDB. Lacerda recebeu também ligação de Dudu Godoy, da agência de publicidade Quê, outra prestadora de serviços da Petrobras.

Conforme a Folha publicou no mês passado, a PF identificou 36 chamadas entre Lacerda e a Petrobras entre agosto e setembro. Todas as ligações estão relacionadas a Santarosa, responsável por um orçamento de aproximadamente R$ 700 milhões nas áreas de publicidade e patrocínio.

"Todos esses contatos mantidos pelo sr. Hamilton Lacerda [...] com o sr. Wilson Santarosa, em dias importantes no roteiro da negociação de compra do dossiê, nos levam a sugerir que a Polícia Federal e o Ministério Público aprofundem as investigações sobre eventual participação de pessoas ligadas a Petrobras na compra do mencionado dossiê", informa o relatório final.

A CPI ressaltou também que Santarosa mantém "estreita relação de amizade" com o ex-ministro José Dirceu. No dia 11 de setembro, Dirceu trocou uma ligação com Jorge Lorenzetti, apontado pela PF como o "articulador" da compra do dossiê. Nesse mesmo dia, Lacerda falou quatro vezes com Santarosa. Dois dias depois Lacerda levaria, segundo a PF, o dinheiro ao emissário petista Gedimar Passos, no hotel Ibis Congonhas, em São Paulo.

A assessoria de imprensa da Petrobras já deu duas versões distintas para os telefonemas trocados entre Lacerda e Santarosa. Na primeira ocasião, afirmou que Lacerda queria obter ingresso para o GP Brasil de F1. Na segunda versão, informou que Lacerda procurou Santarosa para tentar vender convites de jantares de apoio à candidatura de Mercadante.

A PF deve abrir um inquérito específico para investigar a relação de Lacerda com a Petrobras. Além dos telefonemas trocados com Santarosa, foram apreendidos na casa de Lacerda e na imobiliária de sua família uma série de documentos relacionados à estatal. A Polícia Federal suspeita que ele tenha praticado "tráfico de influência" na empresa.

Numa pasta da Markplan Marketing, Planejamento e Propaganda, havia material de projetos patrocinados pela Petrobras ou suas subsidiárias. Foram encontrados também dados cadastrais, bancários e de clientes de uma distribuidora de combustíveis e outra de solventes.

Havia ainda um e-mail com o seguinte comentário: "Referente à Petrobras, precisamos de um contato dentro da Petrobras, para abertura de um canal direto com condições de preços e cotas diferenciados".

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