
A foto a exibe os quatro candidatos que foram às urnas no Irã no último dia 12 de junho.
Em sentido horário: o “vitorioso” Mahmoud Ahmadinejad e os oposicionistas Mir Hossein Mousavi, Mohsen Rezai e Mehdi Karubi.
Depois de declarar que a reeleição de Ahmadinejad havia sido limpa, o Conselho de Guardiães deu meia-volta.
Instância constitucional suprema do Irã, o conselho admitiu que houve irregularidades na apuração dos votos
O surpreendente reconhecimento veio à luz na noite deste domingo (21), manhã de segunda-feira no Irã.
Foi levado ao sítio do canal estatal Press TV. A notícia traz uma declaração do porta-voz do conselho, Abbas Ali Kadkhodai.
Ele diz que, por ora, não é possível "determinar se esse montante [de votos irregulares] é decisivo para [alterar] os resultados da eleição".
Seja como for, a pressão das ruas começa a surtir efeito. Os candidatos oposicionistas haviam listado 646 fraudes.
O Conselho dos Guardiões diz ter verificado que, em 50 cidades, o número de votos superou a quantidade de eleitores inscritos. Coisa de 3 milhões de votos.
Essas cinco dezenas de cidades micadas estão entre as 170 onde Mohsen Rezai, um dos presidenciáveis derrotados, dissera ter havido problemas.
Mousavi e Karubi, os outros dois derrotados, haviam exigido a anulação do pleito. O conselho dera de ombros.
Admitira apenas a recontagem aleatória de 10% dos votos. Algo que pode mudar diante do reconhecimento de que a fraude foi maior.
É improvável que o regime dos aiatolás concorde com a tese de que a eleição precisa ser anulada. Mas terá de dar uma resposta mais convincente às fraudes.
A encrenca, de repercussão planetária, ganhou uma imagem-símbolo. Corre o mundo, via Youtube, o vídeo que registra a morte da jovem Neda.
Foi captado no sábado (20), por meio de uma câmera de celular. Neda assistia, ao lado do pai, às manifestações que ocorriam nas ruas de Teerã.
Uma bala varou-lhe o peito. Suspeita-se que o tiro tenha partido da arma de um integrante da milícia islâmica que auxilia a polícia na repressão de manifestantes.
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