domingo, 21 de junho de 2009

Lacerda, o homem de bastidores de Lula, tem seu sigilo quebrado

A Justiça Federal decretou a quebra do sigilo telefônico do delegado Paulo Lacerda, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-diretor da Polícia Federal (PF). O rastreamento se estende por 20 meses, de janeiro de 2007 a agosto de 2008. A Justiça quer identificar contatos que Lacerda teria realizado naquele período com o delegado Protógenes Queiroz, mentor da Operação Satiagraha, investigação sobre suposto esquema de crimes financeiros envolvendo o banqueiro Daniel Dantas.
A pesquisa expõe o homem que durante seis anos agiu intensamente nos bastidores do poder, ocupando os mais importantes cargos na cúpula do sistema de inteligência do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Lacerda dirigiu a PF por cinco anos, de 2003 a 2007. Entre março de 2007 a setembro de 2008, conduziu a Abin. O acesso ao histórico de telefonemas de Lacerda foi ordenado pelo juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal Federal em São Paulo. Também é alvo da quebra do sigilo o ex-diretor de contrainteligência da Abin, Paulo Maurício Fortunato Pinto.
Em 27 de maio, Mazloum mandou a PF abrir inquérito para investigar os passos de Protógenes no cerco a Dantas. Por meio do ofício 2317/09, endereçado ao superintendente regional da corporação em São Paulo, delegado Leandro Daiello Coimbra, o juiz inclui Lacerda no rastreamento e empresários que teriam mantido contato com Protógenes, municiando-o com dados sobre o banqueiro. Protógenes já é réu em ação penal na 7ª Vara - ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) pelos crimes de quebra de sigilo funcional e fraude processual.
As acusações são referentes aos procedimentos adotados pelo delegado no curso da Operação Satiagraha. Conforme o MPF, Protógenes mobilizou 84 agentes e oficiais da Abin para levar adiante as investigações. A suspeita é que o delegado contou com o apoio direto e orientação de Lacerda. Agora adido policial na Embaixada do Brasil em Portugal, Lacerda não comentou a quebra de sigilo. À CPI dos Grampos e à PF, em depoimento formal que prestou no inquérito contra Protógenes, ele afirmou não ter tido participação na Satiagraha.

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