terça-feira, 9 de junho de 2009

Nesta terça (9), senadores governistas e oposicionistas vão medir forças numa sessão da CPI das ONGs. Está marcada para as 14h30.
Será uma espécie de pré-estréia de outra CPI, a da Petrobras, cuja instalação está prevista para esta quarta (10).
Na semana passada, Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, protocolara na Mesa diretora do Senado um recurso.
Pede que o governista Ignácio Arruda (PCdoB-CE) seja reacomodado na cadeira de relator da comissão das ONGs.
Tenta desfazer a manobra urdida por Heráclito Fortes (DEM-PI). Presidente da investigação das ONGs, ele confiou a relatoria ao líder tucano Arthur Virgílio (AM).
Heráclito não tem a mais remota intenção de dar meia-volta. Não cogita sequer levar o recurso de Jucá a debate na CPI.
Decidiu enviar a peça do líder do governo à Comissão de Justiça do Senado. De resto, dará posse ao novo relator.
“Vou para a comissão na hora marcada, abrirei a sessão e darei a palavra ao relator Arthur Virgílio, que vai expor o plano de ação dele”.
Um plano deliberadamente ousado. Virgílio quer tirar da gaveta apurações que o governo bloqueara. Mira ONGs ligadas ao petismo e ao MST.
Em timbre de ironia, Heráclito festeja a perspectiva de casa cheia: “O governo passou dois anos esvaziando a CPI. Agora, vamos ter presença maciça”.
Na semana passada, o líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), condicionara a instalação da CPI da Petrobras à recondução de Ignácio Arruda ao posto de relator das ONGs.
O diabo é que Renan Calheiros (AL), líder do PMDB e desafeto de Mercadante, não parece alinhado com a estratégia.
Nesta segunda (8), Renan atendeu a uma chamada internacional de José Agripino Maia (RN). O líder do DEM telefonou de Londres.
Foi prestigiar o casamento de um aparentado. Só chega a Brasília na manhã de quarta (10). Pediu a Renan que adiasse a abertura da CPI da Petrobras, marcada para 10h.
Por que Agripino discou para Renan? Simples: Cabe a Paulo Duque (PMDB-RJ), 82, o senador mais velho da CPI, comandar a sessão inaugural.
Duque é homem de Renan. Em vez de discar para o soldado, Agripino preferiu entender-se com o general.
E Renan, alheio às condicionantes de Mercadante, adiou a sessão para o meio-dia. Para que ocorra, é preciso que ao menos seis senadores dêem as caras.
Renan controla dois, a oposição dispõe de três. Fernando Collor (PTB-AL) e Jefferson Praia (PDT-AM) tencionam comparecer. Por esse script, sobra quorum.
A exemplo do que ocorre na comissão da Petrobras, onde dispõe de maioria teórica de oito contra três, o governo é majoritário também na comissão das ONGs.
Uma supremacia de quatro a sete, pelas contas de Heráclito. Se marchar unido, o consórcio de Lula tem voto para barrar as investidas de Arthur Virgílio.
“O que acaba com eles nessas CPIs são as dissidências”, Heráclito festeja. “Outro dia, nós quebramos seis sigilos por causa de uma cochilada que eles deram”.
Heráclito atribui salseiro da comissão das ONGs a uma “descortesia” de Mercadante.

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