A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) disse ontem que não tem mais condições de dialogar, como presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), com o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), mesmo numa eventual retratação dele.
"Ele deveria pensar um pouco melhor. O palavreado foi grotesco. Eu sempre o respeitei. Quem encerrou e fechou as portas foi ele", disse Kátia Abreu. Minc, porém, afirmou por meio de sua assessoria que tentará uma reaproximação. "Não quero que ele me ame", disse a senadora. "Quero que ele me respeite."
Ruralistas foram chamados de "vigaristas" pelo ministro do Meio Ambiente, o que gerou um pedido de Kátia Abreu para que o presidente Lula o demita.
"O que ficou na minha cabeça depois disso foi: esse cidadão [Minc] tem preconceito explícito contra nós", disse Abreu. "Conosco, o diálogo [com Minc] é praticamente impossível. Minha agenda não tem mais espaço para ele", disse ela no Paraná, onde participou de conferências sobre agronegócio. "Ninguém chama ninguém de vigarista à toa. Ele é ministro de Estado e tem obrigação de ser polido."
Para Abreu, Minc quer criar uma "divisão ideológica" entre os produtores rurais. "Quer dizer que eu vou usar o meio ambiente para dividir os menores [agricultores familiares] dos maiores [agronegócio]? Isso é revolução classista, ideologia marxista", afirmou.
Sobre a notícia de que Minc decidiu adotar um tom conciliatório dentro do governo para evitar novos atritos com outros ministros, Abreu disse: "É o medo de perder o cargo".
Ela afirmou que Minc não deve ocupar cargos públicos para defender interesses de uma classe. "O ministro do Meio Ambiente tem que se preocupar com o ambiente e não com os ambientalistas, assim como o ministro Reinhold Stephanes [Agricultura] deve se preocupar com a produção e não com os ruralistas. Eles devem servir o Brasil."
Por meio da assessoria, Minc disse que "vai buscar sim uma reaproximação com a senadora Kátia Abreu, a quem considera uma boa parlamentar e que sabe negociar em alto nível". De acordo com a assessoria, o ministro, por conta da iniciativa de defender essa reaproximação, prefere não comentar as críticas que vem recebendo da senadora.
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