sexta-feira, 9 de abril de 2010

Ciro cobra definição do PSB: ‘Hora de pensar grande’

Ciro Gomes pendurou no sítio que mantém na internet um artigo cujo teor soa ora como ultimato ora como apelo.



No texto, Ciro empilhou as razões que o levam a reivindicar a condição de candidato à sucessão de Lula.



Dirige-se, primeiro, ao seu próprio partido, o PSB. Uma legenda que, em privado, discute a hipótese de deixar Ciro falando sozinho.



Ciro compara o PSB a “um adolescente que está se tornando adulto”. Diz que a eleição de 2010 acomoda o partido numa encruzilhada:



“É a hora de decidir se quer ser gente grande ou continuar pequeno, dependente de outros partidos, que, por mais aliados que sejam, não são o PSB”.



Presidenciável de si mesmo, Ciro diz que sua legenda pode optar por uma de duas alternativas.



Pode se mostrar “ao Brasil como uma força nova, coesa, com discurso afinado e gente decente disposta a melhorar o Brasil”.



Ou pode ser “apenas mais um dos partidos que se acotovelam em alianças pautadas pela mera distribuição de cargos e favores”.



A julgar pelos movimentos subterrâneos da cúpula do PSB, a lengenda pende para a segunda alternativa.



O governador pernambucano Eduardo Campos, presidente do PSB, parece pender para um acerto com a candidatura oficial de Dilma Rousseff.



Ciro rema contra a corrente. “A tese que defendo é que time que não joga não forma torcida. Mesmo que tome de goleada”.



“Já fui candidato a presidente duas vezes. E quero ser pela terceira vez, mesmo sabendo que enfrentaremos uma disputa difícil pela frente”.



Para o deputado, ainda que naufrague nas urnas, o PSB tem um papel a cumprir na quadra eleitoral: “forçar os demais candidatos a discutirem o futuro do Brasil”.



Ciro repisa a crítica à tática plebiscitária urdida por Lula:



“Não acho que seja correto com o povo brasileiro reduzir o debate eleitoral a uma disputa entre a turma do Lula - na qual me incluo - e a turma do FHC”.



Ciro compara-se ao próprio Lula, que perdeu três eleições antes de tornar-se presidente, em 2002:



“Acredito nos que insistem e isso me aproxima muito do presidente Lula, um exemplo vivo e atual de que a persistência no final vence”.



Embora reconheça as dificuldades da empreitada a que se propõe, Ciro anota que, mesmo a sua derrota, será útil à causa do PSB. Por quê?



“Se conseguirmos 15% que seja dos votos, significam cerca de 20 milhões de eleitores acreditando na mensagem do PSB”.



De resto, Ciro abre no artigo uma janela para o sonho que as pesquisas parecem desautorizar:



“Já imaginaram, então, se a nossa mensagem empolgar? E se algum dos favoritos escorregar e cair? Podemos chegar até mais longe. E estamos preparados para isso”.



O ‘quase-futuro-talvez-quem-sabe’ presidenciável do PSB chama de “falso dilema” a tese segundo a qual sua candidatura prejudica a de Dilma:



“Ao contrário, basta ler as pesquisas de opinião para ver que quando meu nome é retirado a vida do candidato do PSDB se torna mais tranqüila”.



Em resposta às maquinações de Lula para retirá-lo do tabuleiro, Ciro anota que o presidente, a despeito da “justa populararidade”, não substitui o povo.



“Para que nosso povo possa escolher bem, é preciso que haja opções”.



Acha que o eleitor pode identificar em outros candidatos, mais do que em Dilma, semelhanças com o próprio Lula.



“Ou a história de vida da Marina [Silva] não é parecida com a dele? Ou a minha persistência de ser candidato não é parecida com a dele?[...]”



Como que decidido a sensibilizar Lula, Ciro encerra o artigo com as metáforas fáceis do esporte bretão. Diz que é preciso dar à democracia a chance de surpreender:



“Como nos jogos de futebol, em que apenas os times que insistiram em jogar aprenderam a ganhar e se tornarem grandes vencedores...”



“...O próprio Lula sabe o que é isso. Afinal, é corintiano. Afinal, virou presidente porque nunca deixou que seu time, o PT, abrisse mão da disputa. Eu, o PSB e o mundo temos muito a aprender com o exemplo de Lula”.



O diabo é que Lula não deseja de Ciro senão que aprenda a resignar-se. Preferiria que o deputado saísse de fininho. De preferência, calado.



Num ponto, Ciro tem razão. O Fla-Flu em que se converteu a disputa presidencial não combina com a demcocria.



Ora, por que negar a quem deseja ser candidato o direito de expor suas ideias ao eleitor?

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