terça-feira, 4 de maio de 2010

Em 2005, Força Sindical fez 1º de Maio ‘pró-Alckmin’

O PSDB de 2010 é um partido diferente do PSDB de 2005. Agora, critica Lula por ter convertido o 1º de Maio em evento eleitoral. Antes, fazia a mesma coisa.

O vídeo acima foi gravado há cinco anos, numa festa organizada pela Força Sindical para celebrar o Dia do Trabalhador.

O homenageado de então era o tucano Geraldo Alckmin, à época governador de São Paulo e aspirante ao cargo de presidente da República.

Alckmin foi ao palco ao lado do presidente da central, o hoje deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT).

Paulinho da Força, como é conhecido, era na ocasião um crítico voraz da gestão Lula.

"Convidei uma dupla para vir aqui cantar uma música para o Lula", discursou Paulinho, no 1º de Maio de 2005.

Seguiu-se uma apresentação da dupla de repentistas pernambucanos Caju & Castanha.

Entoaram uma canção cuja acidez era denunciada já no título: "A Fome Zero Zerou". Diz o refrão:

"A fome zero, zerou/tem gente passando fome/E a comida não chegou/Peço ao nosso presidente/que nos dê mais atenção/que essa tal de Fome Zero/tá uma esculhambação/Arrecada as comidas,/mas não chega pra o povão".

Mais adiante, uma crítica ao Aerolula, o avião que o presidente adquirira pouco depois de chegar ao Planalto, em 2003:

"Ele um dia até falou/que se viesse a ganhar/o salário dobraria,/para a fome acabar/ Mas comprou um avião/só pra ele passear".

Atrás dos repentistas avistavam-se duas placas com logomarcas que indicavam o patrocínio estatal à festa de coloração tucana: Caixa Econômica e Petrobras.

E corria a música. Depois de criticar Lula, Caju & Castanha cuidaram de injetar na letra um elogio ao homenageado ilustre:

"Eu quero cumprimentar o Geraldo Alckmin,/e ele já está presente/tá escutando a gente/eu daqui, você de lá/lhe digo com muito amor,/é o melhor governador/que o Brasil pôde criar".

Antes, em discurso, Alckmin esmerara-se nas críticas a Lula, então pré-candidato à reeleição: “Não se combate inflação com juro alto. As pessoas estão cansadas”.

Longe dali, na festa da CUT, rendiam-se homenagens a Lula. O presidente não dera as caras. Mas fizera-se representar por ministros petistas.

Foram ao palco José Dirceu, então chefe da Casa Civil; e Ricardo Berzoini, ministro do Trabalho da época.

Ao lado dos dois, o atual prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho. Era, na ocasião presidente da CUT. Disse, sob aplausos da multidão: “Precisamos continuar com Lula presidente”.

O tempo passou. Assumiu a pasta do Trabalho Carlos Lupi, mandachuva do PDT, o partido do Paulinho da Força.

O acesso às arcas federais fez do ex-tucano Paulinho um fervoroso aliado de Lula. CUT, Força Sindical e as demais centrais são, hoje, ninhos governistas.

Nesta segunda (3), o DEM protocolou no TSE duas representações. Numa, acusa Lula de ter usado a rede nacional de rádio e TV do 1º de Maio para fazer campanha.

Noutra, pede que o presidente e Dilma Rousseff sejam multados em R$ 25 mil cada um por terem convertido as festas sindicais em palanques de 2010.

Curiosamente, o DEM esquivou-se de mencionar na ação a festa da Força Sindical em sua versão 2010. Concentrou-se na celebração da CUT.

Um evento em que Lula chorou e Dilma teve o nome gritado pela multidão.

O Alckmin versão 2005 governava São Paulo tendo como vice um político ‘demo’: Cláudio Lembo. O PT se diverte:

“Lá atrás, a oposição não reclamava nem do uso político do 1º de Maio nem do patrocínio das estatais”, ironiza o grão-petê Cândido Vaccarezza, líder de Lula na Câmara.

O petismo também prepara uma representação contra o rival José Serra. Vai acusá-lo no TSE de fazer campanha em evento religioso realizado em Santa Catarina.

Organizado pela Assembléia de Deus, recebeu R$ 540 mil em patrocínios do governo catarinense e da prefeitura de Camboriú. Duas administrações tucanas.

Ouça-se Vaccarezza: “Interessa às estatais fazer propaganda nas festas promovidas pelas centrais. Atraem mais de 1 milhão de pessoas. Garantem a exposição da marca...”

“...O que não se explica é o patrocínio de um governo e de uma prefeitura a evento religioso. Não há interesse comercial nem administrativo. Muito menos republicano”.

No meio das festas, das orações, dos discursos de campanha e da guerra jurídica, está o contribuinte. Cabe-lhe o papel de provedor da bilheteria.

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