Aos pouquinhos, a campanha eleitoral vai ficando divertida. Nesta segunda (10), José Serra e Dilma Rousseff quebraram a monotonia.
Travaram, por assim dizer, um embate à distância.
Ele falou à rádio CBN, em São Paulo. Ela discursou em evento dos jornais Valor e Financial Times, no Rio.
Serra disse que a taxa de juros deveria ter sido reduzida no ano passado, nas pegadas da crise financeira global.
Sem citar o nome de Henrique Meirelles, conduziu o raciocínio de modo a realçar que a autoridade monetária não é o papa.
Está, portanto, sujeito a críticas. “O Banco Central não é a Santa Sé”, afirmou. Defendeu a autonomia do BC. Mas só até certo ponto.
Diante de “erros calamitosos”, disse Serra, “o presidente tem de fazer sentir sua posição”.
Recordou que o Brasil continua a conviver com as maiores taxas de juros do planeta.
Abespinhou-se com a observação de que, se fosse presidente, não hesitaria em elevar os juros para frear a inflação.
O que fazer? Acha que é preciso adotar uma política de médio e longo prazo. Algo que retire dos juros a condição de remédio único contra a carestia.
Pois bem, coube a Dilma fazer a defesa do ex-tucano Henrique Meirelles. Sim, muitos não se lembram, mas o presidente do BC é egresso do PSDB.
Em 2002, elegera-se deputado, em Goiás, pelo partido de Serra. Alçado à presidência, Lula o convidou para chefiar o BC. Antes de assumir, desfiliou-se.
Pois bem, coube à petista Dilma defender a gestão de Meirelles. Esquivou-se de opinar sobre a assertiva de Serra de que os juros deveriam ter caído em meio à crise.
"É uma coisa muito complicada a gente raciocinar no 'se'.”, disse ela. Preferiu dizer que, sob Lula, o BC “tem um registro de cuidado e cautela”.
Foi esse zelo, segundo ela, que prevaleceu na gestão da crise. Empilhou os acertos de Meirelles:
“...Não vou deixar de reconhecer aqui a quantidade de acertos, de muitos acertos, que o Banco Central teve no enfrentamento da crise...”
“...A forma como ele se comportou com o compulsório, a forma como o Banco Central liberou crédito...”
“...É muito relativa essa discussão do 'se fizesse isso, se fizesse aquilo'. O fato é que ele acertou...”
“...Acertou na política monetária, no enfrentamento da crise e ninguém pode deixar de reconhecer...”
“...O papel importante que ele teve quando do financiamento de nossos exportadores quando o mercado internacional de crédito teve aquele imenso choque".
Defendeu também o ex-colega de ministério Guido Mantega (Fazenda), "que fez toda a política tributária de financiamento”.
O governo, no dizer de Dilma “demonstrou uma agilidade, uma competência e uma precisão no enfrentar a crise muito grande".
Quem diria! Crítica da política de juros à época em que chefiava a Casa Civil, Dilma converte-se agora em escudo de Meirelles. Divertido.
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