sexta-feira, 7 de maio de 2010

Serra diz que, eleito, convidará PT e PV para equipe

José Serra, Dilma Rousseff e Marina Silva participaram, nesta quinta (6), de algo muito parecido com um debate. O primeiro da campanha de 2010.



Deu-se em Belo Horizonte, sob os auspícios da Associação Mineira de Municípios. Ouviram-se frases provocativas e reveladoras.



Marina criticou, com uma ponta de ironia, a tática plebiscitária urdida por Lula para a sucessão de 2010.



Evocando o passado recente de petista, a presidenciável do PV insinuou que a rivalidade que opõe PT e PSDB não faz bem ao país:



"O PSDB tentou governar sozinho e acabou ficando refém do que há de pior do DEM...”



“...Nós, do PT, tentamos governar sozinhos e acabamos ficando reféns do que há de pior do PMDB".



À sua maneira, Serra deu razão a Marina. Causou certa sensação ao dizer que, se eleito, vai governar com PT e PV:



"O Brasil vai precisar estar junto nos próximos anos. Hoje e ontem a oposição sempre tem um comportamento que empurra o governo para um lado que não devia".



No início da semana, em entrevista ao humorístico CQC, Serra já havia declarado que governaria com o PMDB. Em Minas, enalteceu o “PMDB histórico”.



Não mencionou nomes. Quem olha para São Paulo fica com a impressão de que o candidato talvez se refera a Orestes Quércia, seu apoiador.



Dilma falou pouco sobre o futuro. Preferiu realçar o que foi feito sob Lula, seu cabo eleitoral. Empilhou programas.



Por exemplo: PAC, saneamento, Bola Família, Territórios de Cidadania... Enalteceu as parcerias firmadas entre Brasília e as prefeituras.



Disse que, sob Lula, o governo jamais olhou para a filiação partidária dos parceiros. Manteve com os prefeitos "relações republicanas”, que devem ser ampliadas.



Lero vai, lero vem, Dilma disse algo que não soou bem à platéia de prefeitos.



Segundo ela, o governo logrou atenuar a erosão nos cofres dos municípios ao gerir a crise que sacudiu as finanças globais entre 2008 e 2009.



O auditório dividiu-se entre as palmas, tímidas, e as vaias, mais sonoras. Os prefeitos queixam-se até hoje das perdas que sofreram.



Para contornar a crise, o governo reduziu ou zerou alíquotas de tributos que, recolhidos pela União, são divididos com Estados e municípios.



Diante da chiadeira, Lula liberou uma compensação aos municípios. Coisa de R$ 2 bilhões. Os prefeitos sustentam que foi insuficiente.



A intenção de Dilma era, obviamente, a de agradar. Mas terminou cutucando um vespeiro. Antes dela, Serra amargara um constrangimento.



Ao chegar para o encontro, dera de cara com um protesto de professores. Livrara-se da agressão física graças à proteção de seguranças.

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