Lula convocou para uma reunião, na noite desta segunda (10), 15 ministros. No encontro, o presidente deu um aviso:
O governo não concederá reajustes salariais aos servidores públicos neste ano da graça de 2010.
Sem dar nome aos bois, Lula admoestou os ministros que fazem média com o funcionalismo, parte dele pintado para a greve.
Coube ao ministro Paulo Bernardo (Planejamento) trocar a encrenca em miúdos para os repórteres:
"A reunião foi para dizer que ministro e dirigente de autarquia não é sindicalista. Não tem que defender reivindicação de servidor. Não tem reajuste em 2010".
Tomado pelas palavras do petista Bernardo, o governo não hesitará em recorrer à Justiça contra as greves. Já o fez, aliás, num caso de paralisação no Ibama.
Noves fora o Ibama, ameaçam cruzar os braços servidores do Judiciário e de universidades federais. Haverá, segundo Bernardo, corte do ponto.
As eleições como que anteciparam o calendário sindical. Antecipou-se para o primeiro semestre uma pauta que só costuma ser vir à tona no segundo.
Por quê? A lei eleitoral proíbe o governo de conceder aumentos salariais à sua tropa depois do mês de julho.
Segundo explicou o ministro Bernardo, o governo decidiu levar o pé à porta do cofre em homenagem à responsabilidade fiscal.
Em reforço à idéia de que não os pedidos de benesses ultrapassam a capacidade da Viúva de atendê-las, Bernardo levou à alça de mira o Congresso.
Disse que, embalados pelo iminente encontro com as urnas, os congressistas embrulham uma série de pacotes de “bondades”.
Citou propostas que prevêem aumentos salariais para o funcionalismo do Judiciário e para policiais militares de todo país.
Mencionou também o tônico de 7,7% servido aos aposentados que recebem da Previdência pensões acima de um salário mínimo.
O governo sugerira, em medida provisória que o aumento aos aposentados fosse de 6,14%. Os líderes governistas articularam 7%. E os deputados cravaram 7,7%.
Bernardo voltou a informar que, mantido esse percentual no Senado, Lula vai vetar. Disse que, se mantido, o aumento custará R$ 30 bilhões em cinco anos.
"Estamos vivendo um verdadeiro surto de aprovação de projetos que evidentemente não têm sustentabilidade do ponto de vista do Orçamento...”
“...Não achamos responsável que se vote o volume de projetos que estão sendo preparados sem dizer de onde vem o dinheiro".
No caso dos aposentados, disse o ministro, o governo se bate para manter os 6,14%. Alega que o percentual foi negociado com as centrais sindicais.
Curiosamente, a emenda dos 7,7% é de autoria do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical.
Além de presidir a segunda maior central sindical do país, Paulinho é do partido do ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
Para complicar o que já não parecia simples, o reajuste que Lula ameaça vetar foi aprovado com os votos das legendas associadas ao consórcio governista.
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