A economia, como se sabe, compreende todas as atividades do país. O diabo é que nenhuma atividade do país compreende a economia.
O Brasil perseguiu, durante anos, um PIB vigoroso. No primeiro trimestre de 2010, obteve um Pibão chinês: 9%, se comparado com o mesmo período de 2009.
Contrapondo-se os primeiros três meses de 2010 aos três últimos meses de 2009, chega-se a um crescimento de 2,7%.
Um desempenho que, projetado no ano, resultaria, em dezembro, num Pibíssimo. Coisa de 11,9%.
Anotou os números? Muito bem. Agora, esqueça-os. Embora divulgados nesta terça (8), refletem uma realidade do passado. O governo já traz o pé no freio.
Por quê? O Brasil não está preparado para o orgasmo econômico. Passou 2009 à base de Viagras múltiplos.
Tomou superdoses de isenções tributárias. Ingeriu as liberações de compulsórios bancários. Deglutiu empréstimos bancários.
Vencida a crise financeira global que levava à impotência, o governo pôs-se a cortar os estímulos.
Suspendeu as isenções, enxugou o excesso de moeda que irrigava a corrente sanguínea da economia, retomou o ciclo de elevação dos juros...
"No segundo trimestre já há dados de desaquecimento”, diz, em timbre brochante, o ministro Guido Mantega (Fazenda).
“O crescimento no ano vai ficar alto, mas a taxa já está decrescente. Temos a volta dos impostos, que vai fazer a demanda cair...”
Temos “a volta do compulsório e a taxa de juros, que já subiu 0,75%, a maior alta de todos os países. Além disso, tivemos o corte de R$ 10 bilhões nos gastos do governo".
O governo pôs-se a conspirar contra o PIB. E o faz sob aplausos. O país não dispõe de infraestrutura para crescer.
O consumo, se desmedido e desatendido, levaria a um surto inflacionário. Daí a interrupção do Viagra e a premência de pressionar o freio.
O governo mirava um PIB de até 5,5% para 2010. Mantega fala agora em algo como 6%, talvez 6,5%. Mais de 11%? Nem pensar.
Você tem dificuldade para entender a lógica do processo? Calma, não se desespere.
Misture os fatos e os números que julga incompreensíveis. Construa uma tese particular. Pronto. Você já pode ser considerado um economista de sucesso.
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