Na pele de presidente informal do Senado, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), provocou o adiamento da instalação da CPI da Petrobras.
A comissão deveria ter sido instalada nesta terça (2). Mas Renan vetou o nome de Romero Jucá (PMDB-RR), que o Planalto escolhera para a função de relator.
O governo tenta superar o impasse desde a noite de segunda (1º). Marcou-se uma reunião noturna na casa da ex-senadora Roseana Sarney.
Compareceram o ministro José Múcio (Coordenação Política) e líderes governistas. Mas Renan, embora convidado, não deu as caras.
Transferiu-se a negociação para a manhã de terça, num café. Renan faltou de novo. Agendou-se um terceiro encontro, no Senado.
Dessa vez, Renan se dignou a comparecer. Foi uma conversa dura. Terminou em dissenso. Chegou a hora de instalar a CPI (14h). E nada de acordo.
Em combinação com Múcio, operador político de Lula, os líderes governistas com representação na CPI orientaram seus liderados a não comparecer.
Só apareceu Paulo Duque (PMDB-RJ), unha e cutícula com Renan. Dos senadores com assento na CPI, Duque é o mais velho.
Pelo regimento, cabe a ele comandar a sessão inaugural, até a eleição do presidente definitivo.
Sob orientação de Renan, com quem conversou pelo celular, Duque encerrou a sessão 15 minutos depois da abertura.
Nesse instante, só o oposicionista ACM Jr. (DEM-BA) estava acomodado em seu assento. O segundo a chegar, Álvaro Dias (PSDB-PR), já encontrou o jogo jogado.
Em privado, Renan atribuiu a aversão a Jucá a uma interferência de Aloizio Mercadante (SP), líder do PT. Meia-verdade.
Mercadante é mero pretexto. Renan torce o nariz para Jucá porque o considera mais alinhado aos interesses do Planalto do que às conveniências do PMDB.
Renan receia perder poder na CPI. Preferia acomodar na relatoria alguém que lhe fosse integralmente fiel: ou Paulo Duque ou Leomar Quintanilha (PMDB-TO).
Numa última tentativa de levantar o veto de Renan a Jucá, promoveu-se uma quarta reunião. Deu-se na noite passada, no gabinete de Gim Argello (PTB), líder do PTB.
Além de Argello, participaram Múcio, Renan, Mercadante, Jucá e Ideli Salvatti (PT-SC), recém-nomeada líder de Lula no Congresso.
Múcio discorreu sobre a importância de ter Jucá na cadeira de relator da CPI. Ficou claro que não se tratava de uma preferência apenas de Mercadante.
É Lula quem deseja Jucá na relatoria. Renan ouviu, mas não respondeu. Pediu tempo. Disse que consultaria a bancada. Ficou de responder nesta quarta (3). Jogo de cena.
Em viagem ao exterior, Lula retorna a Brasília nesta quarta. O que Renan deseja é que o presidente em pessoa apele por Jucá. Neste caso, cederia. E ficaria com crédito.
Durante o dia, enquanto toureava os humores de Renan, o governismo levantou um novo pano de fundo para a encrenca da CPI da Petrobras.
Romero Jucá protocolou na Mesa diretora do Senado um recurso para tentar desfazer uma manobra da oposição. Em linguiagem técnica, chama-se “questão de ordem”.
Diz respeito à indicação do líder tucano Arthur Virgílio para a função de relator da CPI das ONGs. Um posto era ocupado pelo governista Ignácio Arruda (PCdoB-CE).
Em combinação com Múcio, os líderes do governo agora condicionam o início da investigação da Petrobras à devolução da relatoria das ONGs a Arruda.
“A hipótese de um recuo nosso é zero”, diz José Agripino Maia (RN), líder do DEM.
“Isso é mera desculpa para encobrir a motivação real: há um desentendimento na base do governo entre o PT e o PMDB”.
Agripino sabia o que dizia. Reunira-se com Renan à tarde. Depois, recebera de Paulo Duque a informação de que a CPI seria finalmente instalada às 11h de quinta (4).
Duque não definiu o horário por conta própria. Reunira-se, também ele, com Renan, o presidente informal do Senado.
A despeito do agendamento de Duque, o Planalto resolveu converter a briga da CPI das ONGs em ponto de honra.
O ministro Múcio orientou a tropa a quebrar lanças. Jucá diz que, sem acordo nas ONGs, a instalação da CPI da Petrobras pode “demorar meses”.
Mercadante ecoa a decisão: “A CPI da Petrobras só pode ser instalada se houver quorum. E a base do governo não dará quorum enquanto não for resolvida a questão da CPI das ONGs...”
“...Há uma questão de ordem apresentada à mesa. Ela tem de ser respondida. Nosso argumento tem base no regimento”.
Para complicar, o recurso do governo contra a troca de Ignácio por Virgílio foi às mãos do vice-presidente do Senado, o oposicionista Marconi Perillo (PSDB-GO).
José Sarney, o pseudopresidente do Senado, está em São Paulo. Acompanha a cirurgia da filha Roseana
Na sua ausência, cabe ao tucano Perillo decidir se a entrega da relatoria da CPI das ONGs ao tucano Virgílio feriu ou não o regimento interno do Senado.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
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