terça-feira, 6 de abril de 2010

Dilma fala ao PR: tucano parece cordeiro, mas é lobo




Do mato da sucessão presidencial, como se sabe, não sai coelho. Sai Renan, Sarney, Roriz, Quércia e outros espécimes.



Nesta segunda (5), ao receber o apoio do PR –partido resultante da fusão do ultradireitista Prona com o protomensaleiro PL-, Dilma levou à selva um bicho novo.



Tem a plumagem do tucano e o jeitão do cordeiro. Mas a “patinha” denunciam-lhe a verdadeira identidade: lobo.



"Aqueles que venderam nosso patrimônio, quebraram o Brasil, deixaram o povo sem renda adequada não serão capazes de levar isso [a gestão Lula] em frente...”



“...Esses falsos cordeiros são fáceis de identificar, as mãozinhas de lobo aparecem. O povo não vai se deixar enganar. Eles mostram as patinhas de lobo".



Acomodado na presidência do PR, o ex-ministro Alfredo Nascimento (Transportes), agora devolvido à condição de senador, uivou para Dilma.



Disse que seu partido tem a "obrigação de não permitir que o projeto pensado pelo presidente Lula seja interrompido" no país.



E a candidata: "Estamos reafirmando a aliança que ajudou a mudar o Brasil. O PR participou de cada ato que mudou a vida política do nosso país...”



“...Queremos levá-los adiante. Agradeço a confiança de vocês. Conclamo todos nós para que sigamos juntos, mudando o Brasil".



Depois de atacar os falsos cordeiros, Dilma posou para fotos ao lado de Anthony Garotinho, ex-PDT, ex-PMDB, ex-isso, ex-aquilo, hoje um filhotinho incorporado à fauna do PR.



Dilma reuniu-se privadamente com Garotinho. Ele a convidou para comparecer ao lançamento de sua candidatura ao governo do Rio, no sábado (10). Ela não deu certeza.



Trocaram afagos verbais. Dilma, que também já passou pelo PDT, chamou Garotinho de "parceiro antigo". Foi tratada por ele de "amiga histórica".



Ouviu-se um barulhinho ao fundo. Era o ruído de Leonel Brizola, velha raposa do PDT, revirando no túmulo.



Ao empurrar o pedaço mensaleiro do consórcio governista para dentro de sua coligação, Dilma estimula o eleitor a intimar a presença em cena do cão Nego.



O labrador que acompanha a ministra em suas caminhadas matinais é uma herança de José Dirceu, grão-duque do petismo.



Ao ser apeado da Casa Civil, empurrado pelas palavras de Roberto Jefferson –“Sai daí, Zé”— Dirceu deixou para Dilma a casa e o animal de estimação.



Solto na selva, Nego deve ter muito a latir. Há de ter testemunhado diálogos e conchavos insondáveis.

Nenhum comentário: