quarta-feira, 12 de maio de 2010

Lula encomenda cortes nas despesas dos ministérios

Sem alarde, Lula discute com os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento) um pacote de cortes de gastos.



Liberados pelo presidente, os ministros mobilizaram suas equipes para percorrer o Orçamento da União à procura de rubricas candidatas à faca.



Um auxiliar de Lula disse ao blog que o tamanho da lâmina deve ser definido até quinta-feira (20) da semana que vem.



Serão reduzidos os gastos com o custeio da máquina pública. Pretende-se manter a salvo os investimentos.



Os ministros levaram a Lula dados que indicam que a economia brasileira já roda na casa dos 6%. Acima do PIB de 5,2% que o governo estimara para 2010.



O aquecimento puxa a inflação para o alto. Considerando-se os últimos 12 meses, a taxa roça os 5,3%, contra a meta de 4,5% perseguida pelo Banco Central.



Em pleno ano eleitoral, o governo manuseia a adaga para tentar evitar que os juros, o outro remédio usado na terapia antiinflacionária, assuma ares de veneno.



Em sua última reunião, o BC elevou para 9,5% ao ano a taxa básica de juros (Selic). Preve-se que, até o final de 2010, a dosagem da vacina chegue aos 11%.



Foi em meio a esse cenário de apreensões que Lula proibiu, na noite de segunda-feira (9), a concessão de reajustes salariais a servidores públicos.



O esforço do governo para combinar juros e cortes de gastos chega num instante em que o presidenciável tucano José Serra leva o BC à berlinda.



Há dois dias, falando à rádio CBN, Serra repisara uma crítica que repete desde o ano passado.



Para o rival de Dilma Rousseff, o BC errou ao não baixar os juros durante a crise financeira de 2008/2009, quando a atividade econômica minguou.



Em timbre que seus próprios aliados consideraram descalibrado, Serra disse que o BC não é a Santa Sé e os juros não podem ser remédio único contra a carestia.

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