
Os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Renan Calheiros (AL), líder do partido na Casa, protagonizaram nesta segunda-feira (3) mais um bate-boca, que reflete o clima de tensão que domina o Congresso. “Eu só quero dizer que gosto de vossa excelência. Como não gostar de vossa excelência? Eu só lamento que o esporte de vossa excelência nos últimos 35 anos seja falar mal de Sarney. O que vossa excelência repete agora nessa missão de paz”, afirmou Calheiros, revoltado com as críticas do gaúcho e reforço no pedido de renúncia do presidente José Sarney (AP). O alagoano disse ainda que Simon votou contra o maranhense na chapa de Tancredo Neves para o governo de transição da ditadura. “Você está inventando. É mentira”, retrucou Simon, que comparou a atual situação com a renúncia de Calheiros, que deixou a presidência do Senado devido a acusações de irregularidades na sua gestão. “Por que o senhor renunciou?”, questionou o gaúcho que recebeu como resposta: “não podia levar o Senado a um impasse”. Em defesa de Simon, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) pediu para que ele não se intimidasse com as declarações de Collor e reafirmou a necessidade de saída de Sarney do cargo. Ele não teria condições de presidir a sessão diante deste debate. Eu acredito que ele não está aqui por outras razões, a saúde de dona Marly, mas ele não teria condições de ser árbitro.
O ex-presidente da República e senador, Fernando Collor de Mello (PTB-AL), rebateu na tarde desta segunda-feira (3) duramente à nova série de críticas ao parlamento proferida pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS). O parlamentar voltou a condenar a crise ética que a política enfrenta e destacou que ela vem de longa data, ao citar fatos anteriores como o impeachment do então “Caçador de Marajás”. O alagoano, visivelmente transtornado com o discurso do colega, solicitou um aparte para exigir respeito a ele e à Casa, e defendeu enfaticamente o chefe do Congresso Nacional, José Sarney (PMDB-AP). “Ele conduziu com grandeza e maestria o processo de transição democrática e hoje está sendo vitimado. Eu sei como tudo isso é feito e forjado e sei a quem interessa que o Senado da República retire o presidente que foi eleito por todos nós e que cumprirá o seu mandato até o fim. Te peço encarecidamente que o senhor antes de citar o meu nome nesta tribuna, engula, digira e faça disto o que achar conveniente”, disparou. Collor ameaçou ainda revelar fatos que incomodariam Simon, caso fossem resgatados.

Nenhum comentário:
Postar um comentário