quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Governo se mexe para evitar reajuste a aposentados

Há na pauta da Câmara um projeto ansiado pelos aposentados. Concede a todas as aposentadorias o mesmo reajuste do salário mínimo.
A proposta já passou pelo Senado. Os deputados deveriam apreciá-la nesta quarta (4). Mas o governo decidiu impedir.
Haverá barulho. A Cobap (Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas) arregimentou mil idosos para bater bumbo na Câmara.
Os operadores políticos de Lula estimam que, se levado a voto, o projeto será aprovado. Algo que o governo fará tudo para evitar.
O presidente já decidiu: não dará aos aposentados o mimo pretendido. Se aprovado, teria de vetá-lo, arrostando o desgaste. Prefere empurrar com a barriga.
Os aposentados brasileiros são contados em cerca de 26 milhões. Desse total, algo como 18 milhões já recebem o equivalente ao salário mínimo.
Os outros 8 milhões, donos de aposentadorias mais altas, vem sendo brindados com reajustes inferiores aos concedidos ao mínimo.
É esse contingente que o projeto via beneficiar. O Ministério da Previdência foi à máquina de calcular.
Concluiu que a extensão do reajuste do salário mínimo aos 8 milhões de aposentados que ainda não o recebem custaria R$ 6,9 bilhões em 2010.
Alega-se que não há dinheiro. De resto, argumenta-se que a nova despesa, por permanente, estouraria as arcas previdenciárias no longo prazo.
Sem alarde, os mandachuvas do consórcio governista borrifaram veneno na pauta de votações da Câmara.
Retiraram da fila votações uma MP (medida provisória) que deveria ter sido apreciada nesta terça (3). Empurraram-na para a pauta desta quarta (4).
Com isso, bloqueou-se a pauta. Pela lei, as medidas provisórias tem preferência sobre os outros projetos. Nada pode ser votado antes delas.
Presidente da Cobap, a confederação de aposentados, Warley Martins Gonçalles avisa que os “inimigos” dos idosos terão seus nomes expostos país afora.
"Em 2010, teremos eleições. Será o momento propício para os 26 milhões de aposentados brasileiros saberem realmente quem são seus amigos na Câmara”.
Líder do PT, o deputado Candido Vacarrezza explica a lógica do nariz torcido do governo
“Se der o reajuste para esses 8 milhões de aposentados que o reivindicam, o governo não terá como manter a política de aumento do salário mínimo...”
“...Reduzindo a recuperação do mínimo, fica prejudicada a maioria dos aposentados que se beneficiam do reajuste. Logo, a proposta não é boa para os aposentados”.
O curioso é que o projeto cuja aprovação o governo deseja evitar é de autoria do senador Paulo Paim (RS), um petista de mostruário.
Ou seja, trata-se, em essência, de uma briga do PT contra si mesmo.

Nenhum comentário: