quarta-feira, 5 de maio de 2010

Câmara chuta o balde e derruba ‘fator previdenciário’

Em surto pré-eleitoral, a Câmara rendeu-se ao populismo da terceira idade.



Após tonificar as aposentadorias em 7,7%, extinguiu o fator previdenciário.



O reajuste custará 1,7 bilhão ao ano. O fim do fator, ainda não se sabe.



Foram duas rasteiras na governo Lula, que se opunha a uma coisa e outra.



Com um detalhe: o grosso da bancada governista ajudou a passar a perna.



Lula propusera aumento de 6,14%. Quanto ao fator, desejava mantê-lo.



O fator previdenciário, como se recorda, é uma invenção do tempo de FHC.



Foi criado em 1999 (Lei 9.876) como um refresco aos cofres da Previdência.



Consiste numa fórmula. É aplicada na hora de calcular a aposentadoria nova.



Combina três variáveis:



1. Tempo de contribuição do trabalhador.



2. Idade do candidato ao pijama.



3. Expectativa de vida dos brasileiros na hora da aposentadoria.



Funciona assim: quanto menor a idade e maior a expectativa de sobrevida do postulante à aposentadoria, menor o benefício a ser recebido.



Ou, por outra: quanto mais velho e maior for o tempo de contribuição do trabalhador, maior será o fator previdenciário. E, portanto, mais gordo o benefício.



Sob FHC, PT se bateu contra o fator. Fez muito barulho, mas foi voto vencido.



Sob Lula, inverteram-se os papéis. A liderança do PT tentou salvar a ferramenta.



PSDB e DEM –ex-alavancas do fator— agora manuseiam o pé-de-cabra.



Na noite desta terça (4), jogou-se na Câmara o jogo do faz-de-conta.



Auxiliada por aliados do governo, a oposição aprovou algo que Lula vai vetar.



Transferiu-se para Lula o ônus de dizer aos aposentados que não levaram nada.



As duas encrencas –o pseudo-reajuste e o fim do fator— vão ao Senado.



Assim como os deputados, os senadores farão média com os velhinhos.



Depois, a batata quente vai ao colo de Lula, que já avisou: vai vetar.

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