Reforma PolíticaUma das idéias-chave da reforma política hoje em debate no Congresso envolve a lista de candidatos. No papel, é simples. Os dirigentes do partido fazem a lista de nomes, em ordem de preferência política. O eleitor vota no partido. Será eleito o nome que estiver na frente.
Todo mundo fica feliz porque todo mundo concorda que o Brasil precisa de partidos fortes, não é?
os deputados federais eleitos em 2006. Naquele pleito, num plenário de 513 deputados, 72 foram eleitos por média - que soma tanto seus próprios votos, como aqueles dado ao partido e ainda os votos destinados a outros concorrentes, menos votados, mas que deixam as sobras para quem ficou na frente.
No plenário, 72 parlamentares são uma minoria: 15%. Os outros 85% foram escolhidos pelo voto nominal. Ou seja: na imensa maioria dos casos, o eleitor sabia o nome do candidato quando foi até a urna, digitou um número, olhou para uma foto e confirmou.
Nós sabemos que muitas dessas escolhas são feitas na hora, de forma improvisada, depois que um amigo telefona ou o vizinho dá uma dica. Não importa. Os dados mostram que o eleitor quer participar, quer definir a pessoa que vai ajudar a colocar na Câmara — mesmo que só tenha ouvido aquele nome há apenas 15 minutos.
Se você for contar apenas o voto por legenda — e não os restos deixados por outros candidatos — a situação é ainda mais clara. Em muitos Estados os partidos não recebem 5% da votação. Em alguns, menos de 3%. Menos que nulos e brancos — separados.
Até Sergio Moraes, aquele parlamentar que está se lixando para a opinião pública, foi eleito assim. Pode ser triste mas o TSE informa: ele teve mais de 86 000 votos.
Os dirigentes dos partidos tem boas razões para estar de acordo com essa mudança. Ela aumenta seu poder político de forma gigantesca. Basta colocar os aliados na cabeça da lista para garantir uma bancada obediente no Congresso, sem dissidências nem divergências. Depois de uma ou duas eleições, as dissidências internas desaparecem ou mudam de endereço.
É preciso discutir se isso é bom ou ruim — a experiência política ensina que as minorias partidárias podem cumprir um saudável papel no debate interno e na abertura para fora, para questões colocadas pela sociedade.
Mas este é um lado da questão. O principal diz respeito ao eleitor.
Quem apoia o voto em lista precisar reconhecer que a população realmente vota em pessoas e não em legendas. O cidadão gosta de gente
sexta-feira, 8 de maio de 2009
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