Ciro Gomes pendurou no sítio que mantém na internet um artigo cujo teor soa ora como ultimato ora como apelo.
No texto, Ciro empilhou as razões que o levam a reivindicar a condição de candidato à sucessão de Lula.
Dirige-se, primeiro, ao seu próprio partido, o PSB. Uma legenda que, em privado, discute a hipótese de deixar Ciro falando sozinho.
Ciro compara o PSB a “um adolescente que está se tornando adulto”. Diz que a eleição de 2010 acomoda o partido numa encruzilhada:
“É a hora de decidir se quer ser gente grande ou continuar pequeno, dependente de outros partidos, que, por mais aliados que sejam, não são o PSB”.
Presidenciável de si mesmo, Ciro diz que sua legenda pode optar por uma de duas alternativas.
Pode se mostrar “ao Brasil como uma força nova, coesa, com discurso afinado e gente decente disposta a melhorar o Brasil”.
Ou pode ser “apenas mais um dos partidos que se acotovelam em alianças pautadas pela mera distribuição de cargos e favores”.
A julgar pelos movimentos subterrâneos da cúpula do PSB, a lengenda pende para a segunda alternativa.
O governador pernambucano Eduardo Campos, presidente do PSB, parece pender para um acerto com a candidatura oficial de Dilma Rousseff.
Ciro rema contra a corrente. “A tese que defendo é que time que não joga não forma torcida. Mesmo que tome de goleada”.
“Já fui candidato a presidente duas vezes. E quero ser pela terceira vez, mesmo sabendo que enfrentaremos uma disputa difícil pela frente”.
Para o deputado, ainda que naufrague nas urnas, o PSB tem um papel a cumprir na quadra eleitoral: “forçar os demais candidatos a discutirem o futuro do Brasil”.
Ciro repisa a crítica à tática plebiscitária urdida por Lula:
“Não acho que seja correto com o povo brasileiro reduzir o debate eleitoral a uma disputa entre a turma do Lula - na qual me incluo - e a turma do FHC”.
Ciro compara-se ao próprio Lula, que perdeu três eleições antes de tornar-se presidente, em 2002:
“Acredito nos que insistem e isso me aproxima muito do presidente Lula, um exemplo vivo e atual de que a persistência no final vence”.
Embora reconheça as dificuldades da empreitada a que se propõe, Ciro anota que, mesmo a sua derrota, será útil à causa do PSB. Por quê?
“Se conseguirmos 15% que seja dos votos, significam cerca de 20 milhões de eleitores acreditando na mensagem do PSB”.
De resto, Ciro abre no artigo uma janela para o sonho que as pesquisas parecem desautorizar:
“Já imaginaram, então, se a nossa mensagem empolgar? E se algum dos favoritos escorregar e cair? Podemos chegar até mais longe. E estamos preparados para isso”.
O ‘quase-futuro-talvez-quem-sabe’ presidenciável do PSB chama de “falso dilema” a tese segundo a qual sua candidatura prejudica a de Dilma:
“Ao contrário, basta ler as pesquisas de opinião para ver que quando meu nome é retirado a vida do candidato do PSDB se torna mais tranqüila”.
Em resposta às maquinações de Lula para retirá-lo do tabuleiro, Ciro anota que o presidente, a despeito da “justa populararidade”, não substitui o povo.
“Para que nosso povo possa escolher bem, é preciso que haja opções”.
Acha que o eleitor pode identificar em outros candidatos, mais do que em Dilma, semelhanças com o próprio Lula.
“Ou a história de vida da Marina [Silva] não é parecida com a dele? Ou a minha persistência de ser candidato não é parecida com a dele?[...]”
Como que decidido a sensibilizar Lula, Ciro encerra o artigo com as metáforas fáceis do esporte bretão. Diz que é preciso dar à democracia a chance de surpreender:
“Como nos jogos de futebol, em que apenas os times que insistiram em jogar aprenderam a ganhar e se tornarem grandes vencedores...”
“...O próprio Lula sabe o que é isso. Afinal, é corintiano. Afinal, virou presidente porque nunca deixou que seu time, o PT, abrisse mão da disputa. Eu, o PSB e o mundo temos muito a aprender com o exemplo de Lula”.
O diabo é que Lula não deseja de Ciro senão que aprenda a resignar-se. Preferiria que o deputado saísse de fininho. De preferência, calado.
Num ponto, Ciro tem razão. O Fla-Flu em que se converteu a disputa presidencial não combina com a demcocria.
Ora, por que negar a quem deseja ser candidato o direito de expor suas ideias ao eleitor?
sexta-feira, 9 de abril de 2010
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